terça-feira, 24 de julho de 2012

A energia ki

Um fato que se tornou um consenso entre todas as religiões e ciências é que tudo no Universo é formado pela mesma substância vibratória, uma energia muito sutil, cuja quantidade mínima, indivisível, é chamada de quantum de ação pelos físicos. Sendo assim, matéria, energia (mecânica, gravitacional, eletromagnética, térmica e vital) e consciência se distinguem apenas pela concentração e taxa de vibração de uma mesma substância universal.

Por milhares de anos o Taoísmo ensinou que tudo é feito de uma energia sutil que carrega as forças psíquicas e vitais (- chinês: qi; japonês: ki/ke). Matéria, chamada no Taoísmo de essência ( - C: jing; J: sei/shou), é uma massa de Ki bruta, concentrada. Espírito ( - C: shen; J: shin/jin) é uma nuvem de Ki plena. O I Ching diz que tudo o que é material é formado por quantidades diferentes de dois elementos opostos que chamam de Yin (, "negativo", "sombra", "frio", "feminino", "pequeno") e Yang (, "positivo", "luz", "quente", "masculino", "grande").

Taoísmo vem de Tao (, também chamado Dao; significa "caminho", "modos", "moral"). É a fonte do Universo, a existência superior. É como Deus, mas é impessoal. O objetivo dos monges taoístas é transformar sua essência em energia e sua energia em espírito, santificando-se, elevando-se acima da vida física.



KI: A Energia Básica

O Kanji Ki é formado por dois radicais: Vapor e Arroz. Arroz? Sim, arroz. Não sei exatamente o que esse radical representa nesse contexto, mas tenho duas hipóteses. Constituindo a alimentação básica na China, o arroz representa a vida. Nessa qualidade, é utilizado como radical na composição de vários kanjis relacionados a alguma idéia derivada de vida. Provavelmente foi escolhido no lugar do próprio Kanji que representa a vida porque este não é simples o suficiente para ser usado como radical, enquanto o Kanji arroz o é. Então, o significado original de Ki seria "vapor de vida". E é assim que Ki é representada artisticamente, como um fluído ou vapor carregado de energia de força vital. Minha segunda hipótese é que o caractere refira-se ao vapor que sobe do arroz cozido.

Todos os povos primitivos de grande espiritualidade e superstição possuíam a noção de uma força fluída invisível que preenche a natureza e anima os seres vivos, estando ligada diretamente à qualidade da saúde e entrando no corpo pela respiração. Em resumo, atribuíam ao ar a fonte da vida e da saúde. Cada cultura deu-lhe um nome: Qi na China, Ki no Japão, Prana/ Shakti/ Kundalini na Índia, Ti no Havaí, Mana na Oceania, Aither (éter) e Pneuma na Grécia, Aether (éter), Aura e Spiritus (espírito) em Roma. Com o passar do tempo foram criados mais nomes: Quintessência, Vril, Força Ódica, Orgone, Bioplasma, Telesma, Baraka, Magnetismo Animal, Força Vital, Fogo Cósmico, Fogo da Serpente, o Dragão da Terra, a Força. Praticamente todas as doutrinas de artes marciais, de esoterismo e de filosofia e metafísica baseadas no Taoismo apresentam esse conceito de energia espiritual, ou Ki.

Voltemos ao caractere chinês empregado no Taoismo. Qualquer que seja a interpretação do ideograma Ki, ele sempre representa algum tipo de energia de natureza espiritual. Na sua origem a energia representava o aspecto do espírito que se refere à força vital. Com o tempo, essa energia passou a representar também o aspecto do espírito que se refere ao humor e ao pensamento. Em resumo, Ki é a energia vital e psíquica.

Segundo a crença, Ki tem um papel importante em tudo o que fazemos. Para favorecer o equilíbrio orgânico e espiritual, pode ser acumulada e guiada pela mente. Os chineses levam muito a sério a Ki, que chamam de Tchi (dependendo do sistema de romanização pode ser escrito Qi, Chi ou Ch'i). Estudaram a energia Ki por centenas de anos e descobriram que há vários tipos diferentes de Ki. O "Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo", de mais de 4 milênios de idade, lista 32 diferentes tipos de Ki.

Traduzindo Ki

Quando traduzindo do Japonês para o Português devemos ter em mente que uma tradução exata é difícil. A língua japonesa possui vários níveis de significado, variando do mundano ao altamente místico. Portanto o contexto no qual a palavra está sendo usada deve ser considerado quando da tentativa de comunicar sua essência. Ki é freqüentemente definido em dicionários como "espírito", "mente", "humor", ou até "ar", mas é uma das diversas palavras japonesas que não têm uma correspondente ocidental. As traduções mais corretas são aura, ar e pneuma, no seu sentido original. Ou seja, quando referir-se à energia fluída de força vital, trata-se da concepção original de AR; quando referir-se à situação em que uma sensação forte está "no ar", trata-se de AURA. A concepção grega de éter é de uma substância igual à Ki, mas que não carrega a energia da vida como a Ki. Já a pneuma é praticamente idêntica à Ki, pois representa o espírito aéreo responsável pela saúde; considero a tradução mais apropriada para Ki.

Outra forte candidata a tradução de Ki é a palavra Espírito, que inclusive é como o gênero de Ki Anime foi traduzido em inglês. É importante salientar que o sentido original da palavra latina spiritu é sopro, e acabou representando o sopro de vida, igualando seu sentido à concepção original de Ki. Mas spiritu não representava a energia do humor ou do pensamento. Mais de dois milênios depois uma gama enorme de significados é atribuída a tal palavra, inclusive o sentido que antes lhe faltava. Assim, espírito é a única palavra que representa todas as qualidades de Ki ao mesmo tempo.

O que torna perigoso usar espírito como tradução para Ki é justamente a quantidade enorme de interpretações que tal palavra latina pode sofrer. Entretanto, hoje em dia, éter refere-se a uma substância química, aura à irradiação de energia dos organismos vivos, e espírito a diversos estados de consciência. Sendo Ki a energia da vida e da mente e sendo espírito ao mesmo tempo a força vital e a consciência, energia espiritual é a melhor traduçào de Ki.

Na verdade, o grande problema dessa tradução é que os conceitos de mente, alma e espírito cada vez mais se diversificam, adquirindo sentidos e usos variados. Não sou linguista, mas creio que posso afirmar com bastante segurança as seguintes definições. Espírito, na concepção original, é o sopro de vida, a energia etérea que anima o corpo. A mente, por sua vez, é a consciência individual de cada animal, ou seja, o conjunto dos seus pensamentos, sentimentos e sensações, sendo baseada no cérebro. As características de cada mente vêm da alma, ou seja, da predisposição psicológica que é a essência de cada ser. Através da mente, a alma interage com o mundo. Os efeitos dessa interação se refletem na mente, mas certamente jamais alteram a alma.

Anexo: Definições

Eis as definições que encontrei em dicionários e achei que mais têm a ver com a Ki.

Espírito: WEBSTER - [do latino spiritus, literalmente sopro; similar ao latino spirare soprar, respirar] 1. Um princípio animador ou vital que dá vida a organismos físicos. 3. Temperamento ou disposição da mente ou prospeção especialmente quando vigorosa ou animada. | LAROUSSE CULTURAL - 6. Disposição, tendência: ter espírito generoso. 7. Aptidão: espírito de invenção. 8. Humor: ter espírito. | AMERICAN HERITAGE - 1. O princípio vital ou a força que anima os seres vivos. 9. spirits. Um humor ou estado emocional.

Aura: AURÉLIO - [Do latim aura.] 2. Filosofia. Cada um dos princípios sutis ou semimateriais que interferem nos fenômenos vitais. | WEBSTER - [do latim ar, brisa, do grego; semelhante ao grego aér, ar] 1b: uma atmosfera distintiva envolvendo uma dada fonte <O lugar tem uma aura de mistério> | LAROUSSE CULTURAL - 2. Zona luminosa em torno de um objeto. 3. Atmosfera imaterial a envolver certos seres; uma aura de santidade. Ocultismo. Espécie de halo sutil, imaterial, que envolve o corpo, visível somente por pessoas dotadas de percepção extra-sensorial. | AMERICAN HERITAGE - 1. Sopro, emanação ou radiação invisível. 2. Uma distintiva mas intangível qualidade que parece envolver uma pessoa ou coisa; atmosfera.

Éter: LAROUSSE CULTURAL - 2. No ocultismo, substância primordial e universal, agente fluídico geral capaz de se particularizar.

Pneuma: LAROUSSE CULTURAL - [Do grego pneuma, sopro.] 1. Espírito aéreo que alguns médicos antigos tinham como a causa da vida e das doenças. 2. Na filosofia estóica, princípio espiritual considerado como o quinto elemento.

Magnetismo animal: LAROUSSE CULTURAL - Espécie de força vital, comparável ao magnetismo mineral, considerado latente em todas as pessoas e especialmente desenvolvida em algumas pessoas, propiciando uma série de fenômenos paranormais ainda não explicados.

Ki Como Energia Vital

Ki é a força da vida, a energia imaterial onipresente que no seu fluxo anima todos os seres vivos e permeia o Universo, ligando todas as coisas como um todo. É a energia básica que media o físico com o espiritual, através da qual o humor e o pensamento agem sobre o mundo físico. Sendo fluída e onipresente, os antigos a consideravam o próprio ar; como tem a ver com o estado de espírito, associavam a ela também o humor. Sua qualidade determina sua cor, que só pode ser vista por pessoas sensitivas.

Enquanto um ser está vivo, possui força vital circulando-o e cercando-o; quando morre, a força vital o deixa. Se sua força vital está baixa, ou há restrição no seu fluxo, se sentirá fraco e estará mais vulnerável a doenças. Quando está alta, e fluindo livremente, dificilmente adoecerá e sentir-se-á forte, confiante, e preparado para enfrentar a vida.

Recebemos Ki pelo ar que respiramos, pela comida, luz solar, e pelo sono. É possível também aumentar nossa Ki usando exercícios de respiração e meditação. Ki é usada por artistas marciais no seu treinamento físico e desenvolvimento espiritual. É usada em exercícios de respiração meditativos chamados Prana-yama, e pelos xamãs de todas as culturas para adivinhação e ciência, manifestação e cura psíquicas. Todos os curandeiros trabalham com a energia Ki, embora cada um a chame e a entenda como quiser.

Os EFEITOS orgânicos que muitos atribuem à energia Ki são considerados até mesmo pela medicina moderna, embora a ENERGIA KI EM SI não seja levada a sério. Isso porque a concepção de Ki foi criada com base no estudo dos fenômenos vitais. Ou seja, é apenas o que se acreditou ser a "causa" desses processos. Portanto, não se deve desprezar as técnicas desenvolvidas com base na teoria que se baseia em fatos. Tanto é que os efeitos das técnicas da acupuntura e do qigong estão sendo comprovados cientificamente, embora as "causas" de tais efeitos que são alegadas pelos praticantes de tais técnicas não sejam, necessariamente, reais. No fim, o que importa não é a causa, mas a conseqüência.

Ki Como Energia Psíquica

Um atributo importante da Ki, já mencionado, é que ela responde a pensamentos e sentimentos. A força do fluxo de Ki sobre um organismo é diretamente proporcional à qualidade dos pensamentos e sentimentos do indivíduo. São nossos pensamentos e sentimentos negativos que causam interrupções no fluxo de Ki. Os locais onde pensamentos e sentimentos negativos se concentram é onde o fluxo de Ki se restringe. Nesses pontos o organismo funciona mal e podem surgir doenças. Mesmo a medicina ocidental moderna reconhece a influência da mente sobre a condição orgânica e muitos médicos ocidentais apontam 98% das doenças como conseqüência direta ou indireta do estado de espírito do doente.

Deve ser compreendido que a mente não existe apenas no cérebro; este é apenas seu centro funcional, mas o sistema nervoso estende a consciência e subconsciência a cada órgão e tecido do corpo. Ademais, a parapsicologia sabe que a mente se estende num sutil campo de energia de cerca de 60 a 90 centímetros chamado Aura. Por causa disso, não se pode analisar separadamente a mente do corpo, já que estão tão ligados. Tal como o estado da mente é influenciado pelo estado do corpo, este é influenciado pelo estado de espírito. Isso são fatos; se são conseqüências da Ki é uma questão de crença.

O maior problema são os pensamentos e sentimentos negativos alojados no subconsciente, pois não estamos cientes deles e portanto não podemos mudá-los ou eliminá-los por nós mesmos. É aí que entra a cura por Reiki, por exemplo. Sua doutrina alega que, através de suas técnicas, a Ki é guiada pela Consciência Divina, portanto sabe exatamente a onde ir e como responder a restrições no fluxo de Ki. Ao fluir numa área sem saúde, a Reiki "lava" quaisquer pensamentos e sentimentos negativos e os elimina, independente de o indivíduo conhecê-los ou não. Assim, sendo livre de consciência e influência tanto do curandeiro quanto do paciente, o método de cura Reiki vem se tornando cada vez mais popular no Ocidente.

Reiki: Ki Universal

Reiki hoje em dia refere-se a uma técnica de canalização manual de Ki para fins curativos e está se difundindo pelo mundo. Mas esta palavra aparece em alguns mangás e animes no lugar de apenas Ki por ter significado mais abrangente.

Rei significa: espíritos em geral; o aspecto espiritual do ser humano em oposição ao físico; espírito (dos mortos), fantasma, alma; qualquer coisa relativa aos falecidos; bondade, bom, excelente, eficaz; esperto; vida; um ser vivo, um ser humano; divino, carismático, sobrenatural, misterioso; a luminosidade do espírito, de um deus ou de um sábio; habilidade espiritual inconcebível, poder carismático, carisma, maravilhoso, uma maravilha; uma pessoa ou ser com poderes espirituais ou sobrenaturais, um xamã; um ser ou fera sobrenatural (mítico), uma fada, um elfo; puro; brilhante, claro; um apelido

Os místicos do método de cura Reiki afirmam que numa idéia mais profunda e completa Rei representa a Consciência Superior (Deus, ou Tao, no caso) e chamam Reiki de variações da expressão Energia de Força Vital Universal ou Cósmica.




Quatro formas de escrever Reiki: Japonês Moderno, Chinês (lendo-se Ling Qi),
Japonês Antigo (sendo os três ideogramas) e Katakaná (fonogramas).

Touki: Ki de Luta

A filosofia de diversas modalidades de artes marciais fundamentam-se no controle da Ki para aumentar a resistência e força físicas a níveis extraordinários (Kung-fu/Quanfu, Aikidô) ou apenas para manter a saúde (Tai-chi). O mesmo ocorre com os quadrinhos, animações e videogames japoneses. Neles, a Ki empregada é referida como de luta (tou-ki, geralmente traduzido como ‘espírito de luta’) e é manipulada em ataques na forma de energia mágica.

Nos casos citados, a Ki de Luta é a manifestação violenta da Ki quando o indivíduo mergulha em profunda concentração, alcançada pelos artistas marciais através de treinamento especial e pelos fictícios lutadores através de excepcional vontade de vencer o combate. Em ambos os casos, a Ki que envolve o corpo pode ser reunida nos punhos e pés durante golpes capazes de quebrar objetos extremamente sólidos.

Análise Científica

Se você não pode acreditar nisso ora por simples incredulidade ora por fé, não esqueça que virtualmente todas as práticas relacionadas a Ki são verídicas e algumas até comprovadas cientificamente. Isso porque, provavelmente, a Ki da Aura é a energia projetada pelo corpo durante seus vários processos biológicos, como os fluxos de sais e os sinais elétricos gerados pelo sistema nervoso.

Isso significa que há uma grande probabilidade de os princípios da Ki serem meros processos físicos. Se isso for comprovado, os princípios da Ki deixarão de pertencer ao campo metafísico para fazer parte do campo científico. Obviamente, o mesmo não pode ser dito do CONCEITO ORIGINAL de Ki, que certamente é totalmente metafísico. Para poder entender esta análise, é necessário entender que o CONCEITO de Ki e os PRINCÍPIOS de Ki são duas coisas distintas. O conceito é uma causa, que, para muitos, pode parecer deveras fantasiosa. Já os princípios são a conseqüência, ou seja, fenômenos reais que ainda não foram explicados cientificamente, ao menos não que eu saiba. Se forem explicados, um NOVO CONCEITO surgirá, concedendo aos princípios da Ki uma CAUSA CIENTÍFICA que substituirá a CAUSA METAFÍSICA original.

Mas voltemos à análise da Aura e suas possíveis características e causas físicas. O sistema nervoso funciona à base de impulsos elétricos através de íons, partículas com carga elétrica que compõem os sais. Correntes elétricas, que são um fluxo de campos elétricos, produzem campos magnéticos, e esse conjunto caracteriza a emanação de energia eletromagnética. Segundo esse raciocínio, a Aura nada mais seria que todo o campo eletromagnético formado pelos organismos animais. Quanto à idéia de a energia da Aura vir pela respiração e pela alimentação, sabemos que os principais combustíveis das células nervosas são o oxigênio e a glicose. Considerando que o sistema nervoso capta praticamente todas as informações referentes à condição do organismo (sua saúde), mesmo que não sejamos completamente cientes delas, o campo projetado por seus sinais, se detectado, poderia ser usado para identificar problemas de saúde, talvez até da saúde mental. Na verdade pouco se sabe a respeito, mas é possível que no futuro se venha a confirmar tudo isso.

Se a Aura funciona tal como me parece, talvez campos energéticos externos que venham a entrar em contato com uma Aura possam influenciá-la, mesmo que sutilmente, invertendo o processo normal de forma a estimular o sistema nervoso - para bem ou para mal. Como o encéfalo (cérebro, cerebelo, bulbo etc.) está especializado em reconhecer estímulos eletromagnéticos, um outro campo talvez possa estimulá-lo também. Podemos ir até mais longe: uma Aura muito forte poderia talvez emitir pensamentos, sentimentos e sensações que poderiam ser captados por uma pessoa com alta sensibilidade a esses sinais; tal fenômeno caracterizaria a tão discutida telepatia.

Se tudo isso for verdade e uma Aura com energia excepcional por algum desequilíbrio mental entrasse em atividade intensa, poderia causar fenômenos ditos sobrenaturais ou paranormais, como por exemplo a telepatia, a combustão expontânea e façanhas físicas (de faquires e artistas marciais) que vez ou outra vemos na TV hoje em dia. Além disso, eu soube que a técnica chinesa de ChiKung/QiGong (Prática de Ki) empregada pelo renomado Yan Xin já teve sua influência sobre a matéria estudada em laboratório várias vezes, comprovando que funciona, seja uma energia básica esotérica, seja uma energia física. E não podemos esquecer que os chakras (pontos de convergência de Ki) coincidem com os plexos (emaranhados de nervos) e órgãos vitais, o que apenas reforça a teoria de tratar-se da energia do sistema nervoso.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

KI :


O que é o ki? Praticantes experientes de diversas artes orientais, instrutores e mestres dizem que o ki é a energia vital, algo que sustenta a vida em todas as suas formas. O que determina a saúde de uma pessoa, por exemplo, é o fluxo natural do ki. Quando essa energia não flui, a pessoa fica fraca e adoece com facilidade. Mas não são só os seres vivos que têm ki. Fala-se no ki do ar, da água, do solo e da luz solar — a natureza tem um ki que se manifesta no fluxo dos rios, na mudança das mares, nos ventos e nas tempestades.

A partir dessas idéias surgiram práticas que têm o objetivo de dominar o ki e utilizá-lo no desenvolvimento da saúde, da força física e do equilíbrio físico e mental. Algumas práticas vão além e propõem-se a desenvolver e utilizar o ki na cura de doenças, na defesa pessoal e mesmo em práticas paranormais.

Muitas pessoas esforçam-se para entender e explicar o que é o ki. Uma das explicações mais comuns é aquela que diz que o ki é a coordenação entre energia física e energia mental; algumas pessoas dizem que o ki é precisamente essa coordenação, o que vai além da simples soma de energia física e energia mental. Uma decorrência dessa explicação é a idéia de que o ki é intenção e vontade. Uma criança que não quer ser tomada no colo, por exemplo, torna-se mais pesada por causa de seu ki — seu corpo e sua vontade se coordenam de forma a não ser erguida do chão. No Aikido, uma mulher pequenina é capaz de neutralizar o ataque de um brutamontes através da união de sua atenção, sua vontade e seus movimentos.

Já se tentou associar o ki à eletricidade, ao pensamento e ao poder psiquíco. Cada uma dessas associações diz algo sobre o ki, mas todas as explicações somadas ainda parecem estar longe de defini-lo. A despeito da falta de explicações e das imprecisões usuais, muitas práticas se baseiam na existência e na possibilidade de utilizar o ki para um determinado fim — mais ou menos como um pintor aprende a misturar tintas e pintar um quadro, embora não saiba dizer o que faz com que o azul seja azul.

Uma dessas práticas é o Aikido, arte marcial japonesa criada em meados do séc. XX por Morihei Ueshiba. Aikido pode ser traduzido — com o perdão dos puristas — como “o caminho [do] da energia [ki] com harmonia [ai]” ou “o caminho [do] da unificação [ai] das energias [ki]“. No Aikido diz-se que o praticante torna-se invencível na medida em que desenvolve o ki, o que permitiria inclusive antever uma agressão e neutralizá-la com segurança, radpidez e eficiência.

Outra prática que faz uso do ki é o Reiki — que pode ser traduzido como “energia [ki] espiritual [rei]” ou “energia [ki] divina [rei]“. Através de invocações elaboradas, da inspiração divina e de uma vida ascética o praticante (reikiano) torna-se capaz de usar o ki para curar doenças. O ki é aplicado pela imposição das mãos em pontos específicos do corpo do paciente. A prática do Do-In, a Cura Prânica e diversos tipos de massagens orientais funcionam de forma semelhante ao Reiki.

O Tai Chi e o Qi Gong (Chi Kung) também são artes que se baseiam no ki, com algumas diferenças nas técnicas e nos objetivos.

O que me levou a escrever sobre o ki foi a percepção de que existem mais elementos comuns entre essas artes além do próprio ki. Isto sugere que os efeitos que nessas artes são atribuídos ao ki são na verdade os efeitos desses fatores combinados. É possível que o ki seja, em determinadas circunstâncias, precisamente a ação combinada desses fatores. Incapaz de perceber a existência desses elementos, tampouco a combinação deles, o indivíduo simplifica suas dúvidas e declara que o benefício que ele obteve com a prática daquela arte veio do ki. Não digo com isso que o ki não existe e que, portanto, as bases conceituais de artes como o Aikido e o Reiki não têm validade. O que quero dizer é que essas bases são menos importantes do que a prática diligente daqueles elementos que se combinam e que levam à “manifestação do ki”.

Os exemplos do Aikido e do Reiki serão esclarecedores. Falarei deles porque são as artes que conheço melhor e que pratico.

Há no Aikido, sobretudo no estilo chamado Ki-Aikido, os quatro princípios de coordenação mente-corpo. São eles: manter o peso na parte inferior do corpo, relaxar completamente, manter a atenção no tanden (o centro do corpo, situado cerca de dois dedos abaixo do umbigo) e estender o ki. Os dois primeiros princípios são princípios do corpo; os dois últimos, da mente. Manter o peso na parte inferior significa sentir os pés e o chão; relaxar completamente significa aliviar as tensões musculares desnecessárias. Manter a atenção no tanden significa ter a consciência de que ele existe e está lá, assim como sabemos que temos duas orelhas mesmo sem poder vê-las; estender o ki significa imaginar que uma energia é produzida em você e chega a um ponto determinado fora de você. Segundo os praticantes de Ki-Aikido, estes quatro princípios unidos fazem com o ki flua naturalmente pelo corpo. Com o ki fluindo naturalmente pelo corpo é possível utilizá-lo na prática das técnicas, o que as tornaria mais eficientes.

O Reiki, como já se disse, baseia-se em princípios parecidos com os do Aikido. Não existem técnicas marciais no Reiki, porque se trata de uma arte de cura direta. Há, no entanto, cinco princípios em que a prática deve se basear, que são os lemas do Reiki: “somente hoje não sinta raiva e não fique zangado”, “somente hoje abandone suas preocupações”, “somente hoje agradeça suas bênçãos, respeite seus pais, mestres e os mais idosos”, “somente hoje faça seu trabalho honestamente”, “somente hoje, mostre amor e respeito, e seja gentil com todos os seres vivos”. Os dois primeiros lemas são lemas pessoais, referem-se a emoções que o praticante pode sentir e que deve evitar. Os três últimos referem-se ao mundo ao redor e a como o praticante se relaciona com ele e se oferece a ele. Esses lemas não podem ser divididos entre princípios de mente e de corpo, como no Aikido, mas tentar fazer essa divisão sugere algumas semelhanças.

Nos dois casos, no Reiki e no Aikido, é clara a importância dada ao despojamento de tensões (“relaxar completamente” e “não sinta raiva”, “abandone suas preocupações”). É dada importância fundamental ao aqui-agora, à noção de que é no presente e exatamente no lugar em que você está que a ação acontece e os problemas se resolvem: “atenção ao tanden” e “somente hoje…”. Da mesma forma, é comum a noção de que o praticante deve oferecer algo bom, com honestidade: “estender o ki” e “faça seu trabalho”, “agradeça”, “respeite”.

Além disso, existem diversas semelhanças nas circunstâncias em que as práticas ocorrem.

Uma aula de Aikido ocorre num ambiente limpo, adequado, tão silencioso quanto possível. Esse ambiente é chamado dojo (“lugar em que se pratica o caminho”), que em muitos aspectos se assemelha a um templo religioso. Atenção e dedicação dos praticantes são fundamentais. Reverência e respeito são necessários e inevitáveis. Os parceiros de treino pedem um ao outro para treinar juntos a próxima técnica; ao fim, agradecem e permanecem em silêncio aguardando o sinal do instrutor (sensei) para a próxima prática.

Ao final da prática do Aikido há um ritual de agradecimento aos parceiros e ao sensei e recomenda-se manter-se atento a todos seus movimentos e gestos, de modo a perceber em si mesmo os efeitos do treino na mente e no corpo.

O Reiki, ao menos no Ocidente, é praticado em consultórios médicos ou esotéricos. O ambiente deve ser silencioso, limpo, confortável. O paciente deita-se numa superfície plana, como uma cama, mas não tão suave ao ponto de fazê-lo dormir imediatamente. O praticante aplica o Reiki enquanto o paciente permanece relaxado e de olhos fechados. Como o Reiki pode ser algo monótono, recomenda-se que o praticante tenha plena consciência do que está fazendo o tempo todo. Não é necessário imaginar nada, basta apenas impor as mãos sobre cada ponto do paciente (conforme especificado pela teoria do Reiki) e manter a atenção no que faz. Música e luz suaves são bem-vindas.

Ao final da sessão de Reiki não há recomendações especiais, embora o ambiente em que o Reiki se realiza e seus rituais convidem o paciente à serenidade e ao equilíbrio emocional.

No Aikido e no Reiki, grande parte dos benefícios é atribuída ao ki — ao desenvolvimento, ao domínio, à aplicação e à preservação do ki. Mas talvez esses benefícios sejam fruto de todos fatores assinalados anteriormente.

Esses fatores, reunidos, contrapõem-se ao modo de vida que a maioria das pessoas leva. No dia-a-dia, poucas pessoas têm oportunidade de perceber o próprio corpo (como no Aikido) ou de deitar-se especificamente para relaxar e receber os cuidados de outra pessoa, especialmente capacitada para isso (como no Reiki). As duas práticas, assim, sempre trarão benefícios enquanto o modo de vida predominante for aquele que inclui 40 horas de trabalho semanais, trânsito e poluição, alimentação irregular e respiração idem.

O Reiki e o Aikido são práticas curativas. O Reiki pelo caminho direto da cura, da solução de males físicos e emocionais. O Aikido, pelo caminho das técnicas marciais, como forma de gerenciar e resolver conflitos internos e externos. Se é verdade que o ki existe também na natureza, ele não se manifesta de uma forma muito evidente pelo simples fato de que a natureza não está doente. Doentes estamos nós e é por isso, pelo contraste, que teremos a impressão de que o ki está operando milagres quando na verdade estamos simplesmente fazendo coisas boas que não costumamos fazer, estamos retornando àquela naturalidade física e emocional tão comum nos bebês.

Bebês normais, como animais selvagens, árvores e riachos, não precisam de Reiki e de Aikido. Pode haver sentido, mas não há necessidade de aplicar Reiki neles, assim como é impossível oferecer-lhes os benefícios do Aikido. Simplesmente não há diferença entre o que algumas pessoas chamam de “fluxo natural do ki” e o que todos reconhecem como “corpo relaxado e mente serena”.

Kenshu Furuya, 6º dan de Aikido, é enfático ao repetir essa mesma idéia. O ki se manifesta através do corpo, o que nos leva a pensar mais atentamente na sinonímia entre mente, corpo e ki. Koichi Tohei, fundador do Ki-Aikido, diz que o corpo é a mente em estado bruto e que a mente é o corpo em estado refinado, idéia semelhante à de Furuya Sensei.

Não descarto a possibilidade de que algo diferente e extraordinário possa acontecer. Eu mesmo já experimentei coisas assim, que são explicadas unicamente com a palavra “ki”. Ser imobilizado no chão ao contato de um único dedo sobre meu pulso ou ter um braço aquecido rápida e subitamente quando uma pessoa toma meu pulso em sua mão são fatos que não podem ser explicados apenas com “relaxar completamente” ou “faça seu trabalho honestamente”. Independentemente do que tenham feito, elas estavam relaxadas e sendo honestas, não tenho dúvidas disso. Se o ki não é relaxamento e honestidade, o ki está no relaxamento e na honestidade e, assim, vale a pena manter-se relaxado e ser honesto, assim como vale a pena seguir os princípios do Aikido e do Reiki e praticar estas e outras artes de desenvolvimento e utilização do ki, por mais que o discurso soe esotérico demais para quem, como eu, está habituado a crer apenas depois de ver.

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